
O corpo em cena e a tecnologia
A Interdisciplinaridade possibilitou que nosso entendimento prático e teórico atravessasse as barreiras de serem experienciados individualmente, mesmo que tenham sido feitas diferentes propostas e diferentes meios, atingimos o ponto em que ambas se encontram.
Nas aulas de Corpo na Cena trabalhamos a parte do esforço corporal que nos exigiu disciplina, concentração, exercícios de soltura e relaxamento e liberação da tensão, investigamos a relação do nosso corpo com a câmera e com a sensação de estar em cena, que significa lidar com a dupla consciência de fazer e se ver fazendo sabendo que está sendo propositalmente observado pelo espectador. Os exercícios integram a ação na voz, no corpo, na atenção e no espaço, é um alongamento multidimensional, que exige micro-expressões e transições corpóreas, que nos colocam em um estado ativo para entrar em cena.
Para sustentar nosso trabalho corporal, fomos solicitados aceitar uma partitura individual de ações com tensões corpóreas a partir das estátuas de Camile Claudel (1864-1943) e Auguste Rodin (1840-1917) e de fotografias de Malick Sidibé (1935-2016) e Zenele Muholi (exemplos na galeria do início da página). Este longo processo nos exigiu consciência cênica extremamente aguçada em relação a todo nosso corpo.
Simultaneamente trabalhamos em Corpo e Tecnologias Poéticas o estranhamento da relação com a nossa imagem na câmera, o viés era entender o quê podemos fazer para tornar nosso trabalho mais interessante de ser feito e, consequentemente, de ser visto, e como o faríamos.
Tiramos fotos de nossos corpos posados nas estátuas escolhidas e vetorizamos eles no espaço, percebendo formas geométricas que criavam uma composição cênica de imagens na sua relação com o espaço. Esse procedimento se deu a partir do estudo das escolhas poéticas da performatividade arquitetônica presente no conjunto da obra de de Dan Graham (xxx-xxx). A oposição das formas evidenciava os contrastes de luz e sombra juntamente a fluência dos corpos e a relação inseparável dele com o espaço, tempo e contexto, que unidos criavam uma tendência de sentido, uma dramaturgia.
Nossas grandes dificuldades como turma foram a compreensão de que os procedimentos práticos e teóricos só podem ser entendidos como uma unidade quando transpomos na ação física. Além disso, lidar com as frustrações que são resultado de um processo longo de uma aprendizagem no ambiente virtual.
Apesar das frustrações que vieram com o processo de criar e se colocar à disposição, nosso grande entendimento como coletivo foi unir tudo e trabalhar a precisão: o impulso e ritmo interno, criando nuances na voz, nas transições das ações partituradas e no ritmo da cena.










