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A história

Sinopse

  Escrita em 1904, a comédia 'O Jardim das Crejeiras' é dividida em quatro atos que temporizam as quatro estações do ano. Essa foi a última peça do dramaturgo russo, Anton Tcheckhov (1860-1904), escrita meses antes de seu falecimento. A trama é ambientada pelas vicissitudes da aristocracia em manter o status enquanto resiste em vender o seu jardim de cerejeiras, ao qual é atribuído um vínculo afetivo apesar de ser improdutivo. Um homem de negócios, de olho na possível fortuna, insiste aos proprietários o potencial turístico para o jardim se tornar um balneário para veranistas. 

   Refletindo as forças de trabalho sócio econômicas na Rússia na virada do século XX, incluindo a ascensão da classe média logo apos a abolição da escravidão na metade do século XIX e o declínio da aristocracia no início do século XX em uma Rússia na iminência da revolução social.

Sobre o autor

  Há muita possibilidade das experiências pessoais de Anton Tchekhov (1860-1904) terem influenciado diretamente na escrita de 'O Jardim das Cerejeiras', sua última peça publicada.
  Quando Anton tinha dezesseis anos de idade, sua mãe se endividou depois de ter sido enganada por alguns pedreiros contratados para construir uma pequena casa. Um ex-inquilino ofereceu ajuda financeira, mas secretamente comprou a casa para ele mesmo. Simultaneamente, a casa onde Tcheckhov viveu sua infância, em Tanganrog, foi vendida para pagar sua hipoteca. As questões financeiras e domésticas marcaram profundamente as suas memórias.
  Posteriormente, vivendo em uma propriedade no interior de Moscou, o autor desenvolveu um interesse por jardinagem e plantou seu próprio jardim de cerejeiras. Depois de se mudar para Yalta por conta de problemas de saúde, Tchekhov ficou devastado ao saber que o comprador da sua antiga propriedade havia derrubado a maioria das cerejeiras. Numa viagem em busca de se relacionar com sua infância, em Taganrog, ele ficou abalado com os efeitos devastadores do desmatamento causado pela crescente industrialização.
  Finalmente, os primeiros vislumbres do nascimento do que seria sua última peça, veio de uma anotação concisa em seu caderno de 1897: “jardim de cerejeira”.
Tchekhov escreveu O Jardim das Cerejeiras ao longo de vários anos, alternando períodos de euforia, alegria e saúde aos de frustração, cansaço e solidão. Ao longo deste período ele também foi restringido pelo diagnóstico de uma tuberculose crônica. 
  No final do verão de 1902 ele ainda não tinha compartilhado nada da peça com ninguém de sua família e nem do Teatro de Arte de Moscou (companhia teatral a qual era dramaturgo e ator). Somente para consolar sua esposa Olga Knipper que estava se recuperando de um aborto natural, ele finalmente revelou o título da peça, sussurrando para ela, mesmo estando os dois sozinhos. Anton estava aparentemente encantado com a sonoridade do título e teve a mesma sensação de excitação meses depois quando finalmente o revelou para Stanislavski. 
  Em outubro de 1903 a peça foi finalizada e enviada ao Teatro de Arte de Moscou. Três semanas depois o dramaturgo parssou a participar dos ensaios e a palavra “jardim” foi substituída pela palavra mais prática “plantação”, foi aí que o autor sentiu que com aquela palavra ele havia capturado única e simbolicamente a impraticabilidade de todo um modo de vida.
  Embora críticos da época tivessem opiniões divididas sobre a peça, a estreia de 'O Jardim de Cerejeiras'  no Teatro de Arte de Moscou em 17 de janeiro de 1904 (aniversário de Tchekhov) foi um sucesso estrondoso e a peça foi quase que imediatamente apresentada em muitas das cidades da província. Esse sucesso não se limitou à Rússia somente, já que a peça logo foi vista internacionalmente com grande sucesso. Assim que a peça estreou, Tchekhov partiu para a Alemanha devivo à piora de sua saúde, morrendo em julho daquele mesmo ano.

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